A Capela de Nª.Srª do Mileu, é um monumento Românico, datado do séc.XII / XIII.
Está localizada na Póvoa do Mileu, com acesso pela Av. Cidade de Waterbury.
Esta capela está classificada pelo Ippar como Imóvel de Interesse Público pelo Dec.nº 37728 , D.G 4 de 5 de Janeiro de 1950. Trata-se de uma igreja de romaria, aproveitando o movimento dos peregrinos, e conjecturalmente estará construída sobre vestígios da época Romana, uma vez que está inserida na igualmente classificada Estação Arqueológica do Mileu, da época Romana do séc III d.c., pelo Dec. Nº 41 191 DG 162 de 18 de Julho de 1957. A capela de N.Srª do Mileu, foi construída após a transferencia da sede diocesana da Egitânia para a Guarda, por ordem de D. Sancho I, e apesar de ser uma capela Românica tem ainda elementos que atestam a sua transição para o gótico, tais como o arco triunfal e a rosácea da fachada principal. Trata-se de uma pequena capela que representa o Românico tardio e periférico, em que a escultura tende a simplificar-se, ou mesmo a desaparecer, e a estrutura é modest

a, resistindo á introdução de esquemas góticos mais ambiciosos. Tão importante como esta capela, é toda a área onde ela está inserida, tal como já referi acima: A estação Arqueológica do Mileu, do período romano, descoberta em 1953 durante os trabalhos de construção da Estrada Nacional 16. Apesar de ter ainda uma área de escavação bastante restrita ( espero mais investimento por parte das entidades), já foram aí descobertos importantes elementos que nos permitem atestar a verdadeira importância deste sítio arqueológico, tais como o torso imperial romano em mármore, do período de Tibério (II.d.c) actualmente no Museu da Guarda. O espólio encontrado engloba uma fíbula hispânica(fivela),machados de pedra polida, cerâmica de construção, ornamentos, mós de moinho, pesos de tear, uma lápide funerária, entre outros. Apesar de alguns autores pretenderem ver nestas escavações, restos de uma "villa romana" e acreditarem que a sua função original seria a residencial, as poucas escavações que aí se fizeram não permitem ainda com segurança , validar essa posição. Foram também descobertas sistemas de canalização de água, e sulcos nos muros interiores que fariam parte do "caldarium" o que poderia significar uma utilização mais comunitária de termas, ou poderia ser uma "illa rústica" mais periférica que depois poderia ter sido reaproveitada como albergaria medieval.
Em todo o caso, as escavações já realizadas atestam a importância deste sítio, e fazem-nos ver o tanto que ainda poderá haver para descobrir neste local, e daí a urgência de investir no conhecimento deste local romano através de escavações, e poder investigar as fundações da própria capela do Mileu, para validar teorias que a dão como sobreposta a uma igreja visigótica a por ser um dos mais importantes achados arqueológicos do distrito da Guarda que urge descobrir e valorizar. Chega de passividade, e de bombas de gasolina na envolvente , chega de construir em solo que vale mais do que mero solo para construção. Se queremos desenvolver o distrito da Guarda e tirá-lo da letargia a que ele já nos habituou, invista-se no turismo cultural, afinal a nossa maior riqueza, e crie-se neste sítio do Mileu, um motivo de interesse e de estudo para o visitante, como já se fez em Conímbriga, em Tongóbriga , Miróbriga e S.Cucufate. Temos que agir por investimento, e não por arrastameto. Para fechar esta referência à capela do Mileu há que registar aqui a lenda que explica o seu topónimo, tal como a escreveu Adriano Vasco Rodrigues:"- Um dia, há muitos anos, foram os ladrões roubar a capelinha. Quando saíam, cerrando a porta, disseram: «agora nem mil homens nos apanham». Então, ouviu-se uma voz que dizia: - «Para mil... eu!» E os salteadores ficaram presos à argola da porta. De «mil... eu» terá vindo Mileu.
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